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De entre as inúmeras alterações biológicas e fisiológicas vivenciadas pelo senescente, assinalam-se aquelas relacionadas com o processo farmacológico: absorção, distribuição, metabolismo e excreção do fármaco e a sensibilidade dos tecidos ao fármaco (Quadro 1). São estas alterações bem como tantas outras que fazem com que os cuidados que se prestam aos idosos sejam diferentes dos que se oferecem aos indivíduos mais jovens. No idoso, a janela terapêutica que separa o risco do benefício é mais exígua, isto é, a dose que produz um efeito positivo está mais próxima daquela que pode provocar um efeito tóxico. Deste modo, as pessoas idosas apresentam risco aumentado de problemas com medicamentos, sendo que esta população consome mais medicamentos do que a mais jovem.
 

 – Alterações relacionadas ao envelhecimento relevantes para a farmacologia (Kane, Ouslander & Abrass, 2005).

 

Parâmetro farmacológico

Alterações relacionadas com a idade

 

Absorção

Diminuição da superfície de absorção
Diminuição da irrigação sanguínea esplâncnica
Aumento do pH gástrico
Alteração da motilidade gastrointestinal

 

Distribuição

Diminuição da água corporal total
Diminuição da massa muscular
Diminuição da albumina sérica
Aumento da gordura
Alteração da ligação às proteínas

 

Matabolismo

Diminuição da:
Irrigação sanguínea do fígado
Actividade enzimática
Capacidade de induzir enzimas

 

Excreção

Diminuição da:
Irrigação sanguínea dos rins
Taxa de filtração glomerular
Função secretora tubular

 

Sensibilidade dos tecidos

Alterações da:
Quantidade de receptores
Afinidade pelos receptores
Função dos segundo-mensageiros
Respostas celulares e nucleares

Polimedicação ou polifarmácia define-se pelo uso de mais de quatro medicamentos em simultâneo, sendo um deles ou mais do que um desnecessários e eventualmente prejudiciais (Saldanha, 2009).

Um estudo Português realizado em Lisboa a 213 idosos da comunidade revelou um consumo médio de 7,2 medicamentos por idoso (Martins, 2006). Na Polónia, Neuman observou uma média de 6 medicamentos e Steinman et al. (2007) na Califórnia, verificou que os idosos consumiam em média 8,1 fármacos (Soares, 2009). As reacções adversas e a iatrogenia provocadas pelo consumo de medicação são comuns e nefastas entre os idosos (WHO, 2002). A polimedicação constitui um factor preditor positivo em relação a tempo de internamento, reinternamento e mortalidade (Galvão, 2006). Um estudo de Veehof e col. (2002) demonstrou a presença de efeitos iatrogénicos em 45% de 28 411 idosos estudados. A Food and Drugs Administration atribuiu no ano de 1995, 6 894 mortes a reacções adversas a medicamentos em doentes com mais de 60 anos de idade (Saldanha, 2009). Destarte, é urgente prevenir as reacções adversas e a iatrogenia dos medicamentos nas pessoas idosas. O recurso às medicinas alternativas e complementares, como a acupunctura, assume grande importância. A eficácia da acupunctura está comprovada e apresenta a vantagem de não produzir efeitos secundários.